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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e Gravidez



O diretor do programa global sobre AIDS da OMS (Organização Mundial de Saúde) expressou a sua preocupação com as seguintes palavras:

"Em muitas partes do mundo, a metade de todos os jovens até a idade de 15 ou 16 anos já teve relações sexuais, e milhões de adolescentes, já com 12 ou 13 anos. Principalmente as DSTs, entre elas a AIDS, é que colocam as jovens em perigo. Elas têm a tendência de casar ou manter relações com homens mais velhos, que já têm experiências sexuais. Já pelo fato das mulheres serem a parte receptora, elas se arriscam mais. Este risco se multiplica nas adolescentes, já que o seu útero ainda não é totalmente desenvolvido, produzindo pouca secreção vaginal que não assume a sua função protetora de forma suficiente. Além disso, as meninas freqüentemente são forçadas para a primeira relação sexual, levando a lesões genitais. À luz deste fato, não é surpreendente que em todas as partes do mundo os adolescentes sofrem de DSTs. Tanto em Botsuana como também nos Estados Unidos, pelo menos um em quatro adolescentes sexualmente ativos apresentava uma DST.

Como é que está a situação das infecções pelo HIV nos adolescentes? Estima-se que, atualmente, cerca da metade de todas as infecções pelo HIV ocorreram em jovens com menos de 25 anos de idade. Em outras palavras: desde o início da epidemia da AIDS, ao menos 6 milhões de jovens se contaminaram com o vírus do HIV através de relações sexuais desprotegidas ou pelo uso de seringas em comum. O potencial para a continuação da disseminação entre os adolescentes é enorme, principalmente porque 800 milhões deles/delas vivem em países em desenvolvimento onde a epidemia se expande mais rapidamente."
Gravidez precoce ainda é um dos empecilhos principais para a melhoria do status da mulher nos países em desenvolvimento. Mundialmente, nascem crianças de quase 15 milhões de adolescentes por ano, destes mais de 80% em países em desenvolvimento. Em alguns países, um quinto dos nascimentos recai nas adolescentes.

Os seguintes riscos podem ocorrer na gravidez de mulheres muito jovens: maior freqüência de toxemias gravídicas, anemia, partos prematuros, desproporção pélvica ou cefálica e contrações uterinas exageradas, lesões cervicais, como também baixo peso do recém-nascido. A gravidez em idade materna abaixo de 16 anos é principalmente arriscada.

Na norma mundial, a primeira causa morte nas mulheres entre 15 e 19 anos de idade, são as complicações da gestação. Porém, também nesta questão as condições sócio-econômicas, o acesso aos serviços pré e pós-natais, como também as possibilidades de intervenções cirúrgicas têm um significado importante: Em Bangladesh 40% dos casos de mortes entre mães adolescentes são atribuídos à causas ligadas à gravidez, no Egito são 26%; nos países desenvolvidos apenas 1% destes casos de morte são atribuídos às causas denominadas.

Práticas tradicionais prejudiciais contribuem para o maior risco da gravidez precoce. Circuncisão ou amputação clitoriana e infibulação (fechamento dos órgãos genitais) aumentam os riscos decorrentes das gravidez precoces adicionados às complicações que resultam de tais intervenções.

Nas gravidez extra-matrimoniais, o perigo das repercussões negativas sobre a saúde são bem maiores. Mesmo em sociedades nas quais as crianças são muito valorizadas, as adolescentes solteiras grávidas sofrem pressão social e psíquica, levando-as à possibilidades ilegais e inseguras de aborto. Elas também tentam esconder o seu estado, deixando de usufruir das possibilidades de serviços pré-natais, de modo que os riscos para a saúde aumentam. Dificuldades econômicas ainda acentuam estes problemas. A saúde não só das adolescentes é prejudicada. As crianças que nascem sob tais circunstâncias, freqüentemente são negligenciadas ou até abandonadas.

Naturalmente, nem toda gravidez pré-matrimoniais é indesejada. Não se pode esquecer que nem todas as sociedades condenam os nascimentos extra-matrimoniais. Freqüentemente, a gravidez antes do casamento é acolhida como prova de fertilidade e como primeiro passo para o casamento. Uma pesquisa sobre o comportamento reprodutivo de jovens adultos na América Latina resultou no fato que gravidez pré-matrimoniais, freqüentemente, são legitimadas por casamento durante ou logo após o nascimento do bebê. Em outros casos, a promessa para o casamento é usada como engodo para se ter relações sexuais, porém, sem ser cumprida posteriormente.

Crianças de mães adolescentes têm menos chance de sobrevivência do que aquelas de mães entre 20 e 30 anos de idade. Já foi suficientemente documentado - principalmente nos países em desenvolvimento - que a mortalidade infantil aumenta se a mãe tiver menos de 20 anos de idade.

Através de registros de maternidades em diferentes países, viu-se que grande parte dos abortos são aqueles induzidos ilegalmente pelas próprias jovens mulheres. Os casos notificados apenas são a ponta do iceberg. Os abortos ilegais e inseguros contribuem em grande parte para o aumento da mortalidade em mulheres jovens.

Em geral, uma gravidez na adolescência é diretamente ligada à perda de chances nos estudos. Em muitos países alunas grávidas são excluídas da formação escolar ou profissional. Mesmo havendo permissão oficial para a continuação dos estudos, a desaprovação social e a perda de reputação entre as pessoas da mesma idade podem levar à exclusão da comunidade. Freqüentemente, as adolescentes não conseguem suportar a dupla jornada de estudo e criação da criança. A procura de um esposo que possa garantir o sustento da jovem mãe e da criança, possivelmente leva a contatos com vários parceiros e a outras gravidezes extra-matrimoniais.


Texto elaborado por Regina Görgen
Tradução: Gunde Schneider Röhr

 Postado por :Jonathan  e Débora

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